inventura
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Temps  2 hores 16 minuts

Coordenades 910

Data de pujada 17 / de setembre / 2016

Data de realització de setembre 2016

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188 m
52 m
0
2,4
4,9
9,75 km

Vista 568 vegades, descarregada 17 vegades

a prop de Praia das Maçãs, Lisboa (Portugal)

Junto um roteiro de informações do percurso. Espero que gostem.
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Por aqui diz-se que COLARES é um bom lugar para se viver. Aqui reina a calma de uma aldeia orgulhosa do seu passado, contente com a sua localização, mas algo descrente com o seu futuro.
Até à data, não foram encontrados quaisquer vestígios pré-históricos na Vila de COLARES, apenas escassos indícios da época romana. Em escavações arqueológicas realizadas junto à igreja Matriz de Colares, foram encontrados diversos fragmentos cerâmicos muçulmanos, datados dos séculos X e XI. Os dados fornecidos pela arqueologia indiciam que Sintra e Colares terão evoluído em simultâneo e em ligação, dada a sua proximidade geográfica. Pensando que há algumas centenas de anos o assoreamento da Ribeira de Colares ainda não sucedera e nas deficientes vias de comunicação terrestres existentes na Idade Média (muitas ainda vias romanas), é credível pensar que Colares se tenha desenvolvido como Porto de Sintra. Acelerando um pouco a evolução histórica da Vila, diremos que Colares foi doada, em 1385, por D. João I, com suas terras e castelo, a D. Nuno Álvares Pereira. D. Manuel I concedeu-lhe foral em 10 de Novembro de 1516, mantendo-se cabeça de Concelho até 24 de Outubro de 1885, data em que seria anexada a Sintra, como simples freguesia. A importância de Colares tem vindo a decair. Só restam poucas das suas famosas vinhas e a degradação do casario da Vila é notória. Os habitantes preferiram, a pouco-e-pouco, viver noutros locais, como o Mucifal (cujo nome deriva do topónimo árabe Maçfal e que significa ”lugar que está num ponto mais baixo”), Penedo e outros. Mas o que importa é que o encanto especial de Colares mantém-se.
Vinhas de Colares - Os afamados vinhos de Colares provêm de um cultivo muito antigo da vinha na região. A Região Demarcada de Vinhos de Colares – criada em 18 de Setembro de 1908 – foi a segunda Região Demarcada criada no nosso país, logo a seguir à do Douro. Supõe-se que na época de ocupação romana já por cá se cultivava a vinha. Foi a partir de 1865, com a chegada da praga da filoxera (pequeno inseto afídio oriundo da América do Norte que atacava as raízes das vinhas e que provocou a devastação da maior parte das vinhas europeias), que as vinhas de Colares atingem acentuado desenvolvimento, já que o tal inseto não afetou as raízes destas vinhas plantadas em solos arenosos.
Aproximemo-nos da Costa e da foz da ribeira da Maçãs onde atualmente existe um extenso areal (a Praia das Maçãs). Há algumas centenas de anos era a entrada de um extenso braço de mar que chegava à vila de Colares. No topo Norte, hoje em dia invadido por um manto crescente de casario, podemos ver uma colina - o Outeiro das Mós - onde existia um Tholos, que é uma sepultura/túmulo coletivo do Calcolítico. Foi descoberto em 1927 pelo então proprietário, tendo o seu espólio sido saqueado e destruído ao longo dos anos. Foram recolhidos no local fragmentos de vasos, ossadas humanas e de animais, conchas, pontas de seta e outros utensílios em calcário e bronze, que se encontram no Museu dos Serviços Arqueológicos de Lisboa.
Santuário romano do Alto da Vigia - Remontam ao século XVI as informações mais antigas que indicavam a existência de um santuário romano junto à foz do Rio de Colares. São da autoria de Valentim Fernandes, em 1505; e de Francisco d’Ollanda, por volta de 1541. Este autor inclui na sua obra “Da Fábrica que falece à cidade de Lisboa” o desenho das estruturas que então terá conseguido observar e que pertenceriam ao santuário mais ocidental do império romano. A identificação daquelas ruínas no século XVI corresponde à primeira descoberta arqueológica feita em Portugal. A importância do local foi largamente reconhecida na época, passando a ser ponto de visita obrigatória para os eruditos portugueses (entre outros por elementos da família Real, nomeadamente do Rei D. Manuel I e, mais tarde, do Infante D. Luís, irmão de D. João III) e estrangeiros. Com o passar do tempo perdeu-se o rasto destas ruinas, mas não a sua memória. Eu próprio, durante anos guiando caminheiros por aquela zona da costa, chamei a atenção e falei da eventual existência de um santuário romano que estava por confirmar/descobrir. Redescoberto acidentalmente há poucos anos quando da construção de um caminho pedonal, o achado foi sujeito a uma intervenção arqueológica, levada a cabo pela equipa do Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas, que permitiu já confirmar a existência naquela zona de um santuário romano monumental, bem como a caracterização dos alicerces parcialmente visíveis como pertencentes a uma torre de facho dos inícios do século XVI. Foi ainda, surpreendentemente, identificado um importante conjunto de vestígios de época islâmica, totalmente desconhecidos até então. Estes testemunhos arquitetónicos de época islâmica correspondem a um ribat (“convento”), tendo sido, até ao momento, identificado um conjunto arquitetónico constituído por várias salas, destacando-se uma delas pela presença de um mirhab orientado para Sudeste, virtualmente no sentido de Meca. Foi também identificada uma área de necrópole com várias sepulturas associadas à fase de ocupação islâmica do sítio e grande quantidade de conchas, algumas ainda associadas a vestígios de fogueiras, indícios do aproveitamento dos recursos marinhos disponíveis no local. Na edificação das estruturas do ribat foram utilizados múltiplos elementos arquitetónicos de época romana, onde se incluem algumas inscrições, que testemunham a existência na zona de um importante santuário romano. Nas escavações foi recuperada uma nova inscrição que atesta a importância do local, sendo dedicada ao Sol e ao Oceano por um Procurador dos Augustos e sua família. Para além daquela ara (pequena coluna) e de uma inscrição funerária da época de Augusto - ou seja, anterior ao próprio santuário - foram recolhidos outros elementos arquitetónicos romanos com alguma monumentalidade, nomeadamente uma imposta moldurada, fragmentos de coluna, de ara e grandes blocos de construção. Aguardamos por novas revelações da história do local que, quanto a nós, já merecia um enquadramento e proteção diferentes.
Trilho de Pegadas de Dinossáurios da Praia Grande – Em 1981, durante uma aula de cartografia geológica, foi descoberta esta importante jazida de pegadas de dinossáurios. Forma um conjunto de 66 pegadas, distribuídas por onze rastos ou trilhos. Estas pegadas tridáctilas (com três dedos) foram deixadas por animais normalmente bípedes (que andam com duas patas) há perto de 110 milhões de anos, sobre uma superfície mole de sedimentos do Cretácico. Nessa época a serra de Sintra ainda não existia e a região seria constituída por uma costa plana, com características lagunares, estando a latitude local bastante mais a Sul. A atual colocação na vertical das pegadas resultou da instalação e posterior afloramento do Maciço Eruptivo da Serra de Sintra (há cerca de 80 milhões de anos) que lentamente foi empurrando os diferentes estratos sedimentares existentes até à posição que hoje apresentam. Estes trilhos de pegadas são, principalmente, de dinossáurios carnívoros chamados “megalossaurus” (grande lagarto). Estes gigantes teriam entre 6 a 8m de comprimento e 8m de altura, pesando aproximadamente 5 toneladas. Outras pistas desta jazida (no topo das escadas) foram deixadas pelo “iguanodon” (dente de iguana) que era um dinossáurio herbívoro (parece ter sido o primeiro a ter características ruminantes), normalmente bípede mas que podia marchar como quadrúpede. Devia atingir os 10m de comprimento e 5m de altura, pesando entre 8 a 10 toneladas.

Comentaris

    Si vols, pots o aquesta ruta.