Temps  una hora 20 minuts

Coordenades 2277

Data de pujada 22 / de juliol / 2018

Data de realització de gener 2010

-
-
21 m
-2 m
0
3,4
6,7
13,5 km

Vista 3103 vegades, descarregada 86 vegades

a prop de Aveiro, Aveiro (Portugal)

Chegávamos a Aveiro antes das 9h, num sábado de verão com temperatura amena mas de ânimo quente. Queríamos conhecer os recentemente anunciados passadiços da Ria. Tínhamos informação de que o início seria junto de um dos canais principais da Ria, o Canal de S. Roque. Ora, não conhecendo a toponímia dos canais da Veneza Lusa, achámos por bem estacionar num dos poucos parques não pagos da cidade, o parque de Nossa Senhora dos Aflitos. Sabíamos que ali bem perto passava o que pensávamos ser o canal principal e, soubemos agora, se chama Canal do Cojo. A ele nos dirigimos seguindo em direção ao Mercado Manuel Firmino. Passámos na rua Comandante Rocha e Cunha e, de fugida, apreciámos os belos painéis de azulejos que avivam a memória da tradição aveirense da azulejaria e porcelana. Um pouco abaixo, o amarelo das flores das Tipuanas alegram as traseiras do Mercado Manuel Firmino e atapetam a calçada que nos leva até ao viaduto da 5 de Outubro, por baixo do qual pretendemos admirar o graffitti de Fábio Carneiro, oferecido pela Civilria à cidade de Aveiro para homenagear Atita, professor de natação que salvou da morte mais de 30 pessoas e, por isso, conhecido como o Tubarão dos Mares.
Seguimos à beira do Canal do Cojo passando junto à frontaria do Mercado Firmino da Mota onde decorre a feira do livro. O painel publicitário deste acontecimento tem escrito «Filho de Aveiro, educado na Costa Nova, quase peixe da ria», Esta frase é de Eça de Queiroz e foi escrita numa carta para Oliveira Martins em 1884. Ainda que a certidão de óbito de Eça diga em francês, "né à Aveiro", Eça terá nascido na Póvoa do Varzim para onde levaram sua mãe solteira, evitando o falatório e o escândalo social(https://solpaz.blogs.sapo.pt/347212.html). Os belos e coloridos moliceiros, que do moliço nem recordação já têm porque feitos para passear turistas, cortam a água do canal, numa velocidade motorizada diferente da languidez da vara empurrada a pulso de outrora, dando um tom mais alegre que veneziano à cidade. Ali perto, as Bugas aguardam os fregueses, solícitas e asseadas. A Ponte dos Namorados está engalanada para a festa com multicoloridas fitas de plástico. Depois do Cais do Cojo passámos por uma travessinha, nas traseiras do Edifício da Capitania, para a Av. Dr. Lourenço Peixinho.
O Edifício da Capitania nasceu em 1830, obra do arq. Joaquim José de Oliveira, por encomenda do fundador da Vista Alegre, José Ferreira Pinto Basto. Destinada a moagem industrial, chamava-se então Casa dos Arcos. O popular batismo advém do facto de apresentar mais que uma dezena de arcos na sua base por onde passa a água que, na altura, fazia movimentar as turbinas da moagem. A traça Arte Nova é-lhe dada pelo arquiteto Augusto Silva Rocha, no final do século XIX, aquando da adaptação para funcionar como Escola de Desenho Industrial. Hoje é sede da Assembleia Municipal.
Seguimos pela Rua José Estevão. Procurávamos o Mercado do Peixe, que de José Estevão também já se chamou. Um pouco à frente cortámos à esquerda. e seguimos por uma estreita e calcetada rua. Desembocámos na Praça 14 de Julho. A calçada à portuguesa, que em Aveiro é tão típica, aqui representa as redes de pesca com suas malhas e nós; a norte vislumbra-se a Igreja de Nª Sr.ª da Apresentação da paróquia de Vera Cruz; à nossa frente uma fachada amarela estilo Arte Nova (informam-nos mais tarde que são 26 os edifícios Arte Nova ainda existentes em Aveiro); a sul da praça uma estátua homenageia o Marnoto e mais ao fundo nova casa Arte Nova. Seguimos agora pela Rua Tenente Rezende e, de novo, sobressai um novo edifício Arte Nova. Não fora por mais e apreciaar estes edifícios é razão suficiente para visitar Aveiro.
Chegamos ao Mercado do Peixe. Maravilhosa obra de arquitetura em ferro, tem a assinatura de Gustave Eiffel. Inaugurado em 1904 serviu durante mais de um século a venda de pescado que, inicialmente, lhe chegava pelo Canal dos Botirões mesmo ali ao lado. E é para onde nos dirigimos agora. Este canal entra pelo Bairro da Beira-Mar até junto do Mercado do Peixe que serviu durante tantos anos. Juntam-se agora aos moliceiros as cores das casas do Bairro da Beira-Mar e caminhamos para a ponte pedonal circular, pendurada num laço de aço representando o infinito. Obra do engº Domingos Moreira, projetada pelo arq.º Luís Viegas, esta ponte liga três margens dos canais dos Botirões e de S. Roque. Dar a volta e retornar ao mesmo sítio, assim é o infinito.
Mas... estamos no nosso canal de referência para o início dos tais passadiços. Perguntamos a um senhor que passeia com o neto por ali: «uiii... estão ainda muito longe!... sim é no canal de S.Roque mas lá pró Cais da Ribeira da Esgueira». Dá-nos as indicações e aí vamos pelo antigo Cais, onde eram descarregados os produtos da ria, principalmente o sal e o peixe (chegou a existir aqui um ramal da linha do norte e uma lota de peixe). À nossa frente a Ponte de Carcavelos. Construída em 1953 substituiu a ponte de madeira que ruira onze anos antes por ter tanta gente sobre ela desejosa de assistir à corrida de bateiras que se realizava naquele canal, integrada nas festas de Nossa Senhora das Febres. A importãncia desta ponte está ligada fundamentalmente ao marnotos e ao acesso às salinas. Segundo me contaram, os marnotos davam o nome às salinas consoante a terra de origem, assim, havendo em frente a salina Carcavelos a ponte asssim se batizou. Ao longo do cais por onde seguimos ainda existem memórias do sal. Um mural de Ratu ilustra a faina das salinas, só não estou a ver o marnoto a fumar cigarros com filtro, era... assim mais... "mata ratos" ou seja, a velha murtalha, puxada da caixinha de 5X2, que se enchia de tabaco tirado da onça com a ponta dos dedos, que com as mesmas pontas digitais se enrolava, depois se colava deslizando a língua ao longo da beira da murtalha e, finalmente se acendia. Isto era um ato cerimonial. O gozo de fazer o cigarro era metade do prazer.
Um armazém de sal resiste ainda à degradação do tempo constituindo-se em memorial de um passado que não é assim tão longínquo.
Deixámos o cais e o canal. Iremos reencontrá-lo lá mais para a frente. Vamos agora por um caminho de terra batida que passa por baixo do viaduto da A25. Os dizeres típicos das gentes de Aveiro (ceboleiros e cagaréus) começam aqui graffitados debaixo deste viaduto. Estes dizeres convidar-nos-ão à sua interpretação/tradução ao longo do percurso.
Depois de um pouco de asfalto, chegámos ao Cais da Ribeira da Esgueira.
Aqui começam os passadiços!... se tivéssemos vindo diretamente, o que teríamos perdido...
Sobre canais, visitando velhos ancoradouros, enchendo os olhos da beleza da ria e o espiríto da sua quietude, lá fomos passeando ao longo dos passadiços. Não vou descrever porque o que dissesse seria sempre pouco e não faria justiça a tanta beleza. Para o fazer precisava de ser poeta mas infelizmente disso "não tenho veia".
acabados os passadiços veio um caminho em estrada de terra batida à beira do Vouga. Caminhámos até Sarrazola e daí para Cacia. Apanhámos o comboio que nos levou até à bela estação de Aveiro.
Não se pode perder a contemplação dos antigos paineis de azulejo desta estação. São belíssimos.
Da estação ao parque onde estacionámos os carros foi um saltito. De como passámos o resto da tarde só digo que foi uma maravilha a navegar num moliceiro e voltámos a visitar o Canal de S. Roque. Agora sabemos onde é e conhemos melhor a bela Cidade de Aveiro.
Foto

Painéis de azulejo

Foto

Árvores ornamentais (Falso Barbatimão - Cassia Leptophilla ?)

Foto

Homenagem ao nadador Aveirense Atita - O Tubarão dos Mares (mural de Fábio Carneiro)

Foto

Ponte com música e moliceiros no canal

Foto

Quase Peixe da Ria - feira do livro

Foto

As Bugas

Foto

Canal do Cojo e Ponte dos Namorados

Foto

Vista do Cais do Cojo

Foto

Edifício da Capitania

Foto

Praça 14 de Julho com Igreja de Vera Cruz e monumento ao marnoto

Foto

Obelisco da Liberdade

Foto

Arte Nova na rua Ten Rezende

Foto

Mercado do peixe e fontanário

Foto

Arte Nova na praça do Mercado do Peixe

Foto

O Cais dos Botirões

Foto

A Ponte do Botirão

Foto

Cais dos Remadores Olímpicos

Foto

Ponte de Carcavelos

Foto

O Canal, o Mural e o Armazém do Sal

Foto

Um moliceiro no canal e os Armazéns da Salineira Aveirense

Foto

Por baixo do viaduto da A25

Foto

Barcos no Canal perto do Cais da Ribeira da Esgueira

Foto

Cais da Ribeira da Esgueira. Aqui começam os passadiços

Foto

Velhos novos ancoradouros

Foto

Sotavento

Foto

8º38'11' W 40º40'01'N

Foto

Barcos parados no emaranhado dos canais

Foto

Ilustração sem beleza de uma paisagem muito bela

Foto

Envergues

Foto

O namoro da água e da terra

Foto

Velhos ancoradouros

Foto

Á beira do Vouga

Foto

Galeria de choupos, faias e heras

Foto

Velho choupo guardando o canal

Foto

Jacintos de água e outras plantas forasteiras

Foto

Matriz de Sarrazola

Foto

Escola Primária

Foto

Maracujá Banana - Flor e fruto

Foto

Passando para o apeadeiro de Cacia e regresso de comboio

Comentaris

    Si vols, pots o aquesta ruta.